GALERIAS DE BRASÍLIA ESTÃO COMPROMETIDAS.
#Viadutos de Brasília já foram mapeados para manutenção que não foi colocado em prática.
A auditoria do TCDF mostrou que as edificações públicas estavam em precário estado de conservação e que não era possível saber de fato quanto o governo gastou em manutenção. Além disso, denunciou a falta de cuidado estatal com as construções públicas. “A atividade de manutenção das edificações públicas do DF é realizada de maneira improvisada e casual e não garante a integridade das edificações públicas”, analisa o documento.
Seis anos depois da auditoria, os dois governos que comandaram o Distrito Federal nesse período — o de Rodrigo Rollemberg e Agnelo Queiroz — mantiveram a prática de não conservar os espaços públicos. Das 13 edificações apontadas pelo relatório como as mais críticas, em sete, os técnicos pediam reparos urgentes. Além do viaduto do acidente, estão na lista de urgência a Ponte do Bragueto, no Lago Norte; os viadutos do Eixo L entre as entrequadras 203/204 Sul e 215/216 Sul, o viaduto sobre a N2, ao lado do Conjunto Nacional e o estacionamento em frente ao mesmo shopping.
Pouco mudouNa análise do especialista em infraestrutura e manutenção predial e professor da Universidade Católica de Brasília (UCB) Li Chong Lee Bacelar, da lista das 13 edificações vistoriadas pelo TCDF, nenhuma passou por conservação adequada ou reforma substancial. A convite do Correio, o especialista percorreu as construções que aparecem no relatório. “Muita coisa não mudou desde a auditoria em termos de ação. Em contrapartida, o tráfego aumentou em volume, isso agrava a situação porque são carregamentos não supostos no cálculo original”, concluiu.
De acordo com Bacelar, todas as estruturas precisam de um plano de manutenção para a vida útil, que vai das vistorias às intervenções mecânicas mais complexas. Só com esse planejamento é possível se manter estrutura segura, utilizável e próxima ao que era originalmente. “Não ter recursos não justifica não ter sequer um plano de manutenção”, afirmou. Segundo ele, a prova de que as ações estatais não foram feitas é que, mesmo nas estruturas em que foi feito algum reparo, já são necessárias novas vistorias pois há problemas aparentes.
Procurado pelo Correio, o GDF não soube precisar quais manutenções foram feitas nos equipamentos públicos desde a publicação do relatório do TCDF. O governador Rodrigo Rollemberg comentou que sabia da situação do viaduto do acidente e de outros espalhados pela capital. Segundo ele, o GDF já havia feito reparos em oito estruturas da área central de Brasília, conforme o sugerido pelo TCDF. Ao todo, foram gastos R$ 67,7 milhões nessas obras. “Priorizamos os da Rodoviária (do Plano Piloto), em razão do enorme movimento”, destacou. “Sabíamos, pelo relatório do TCDF, que o viaduto precisava de reparos e manutenção, como os demais. As obras que recuperamos também eram urgentes”, acrescentou.
Radiografia: Confira como estão as outras 12 edificações apontadas como preocupantes pelo TCDF em relatório de 2011. O Correio foi a todas com o especialista Li Chong Lee Bacelar.
Ponte Honestino Guimarães
» Li Chong Lee Bacelar aponta alguns problemas na estrutura. Destaca a deterioração e a falta de reparos. É preciso, segundo ele, fazer análise profunda e acompanhar mais frequentemente o local.
Viaduto do EIXO L (215/216)
» No viaduto das tesourinhas, alguns problemas graves foram detectados pelo especialista. O guarda-corpo tem a estrutura completamente comprometida e há risco de desabamento, segundo Bacelar.
Viaduto do Eixo W (115/116)
» Os problemas são semelhantes aos das quadras vizinhas (215 e 216). Diversas partes da estrutura metálica estão expostas. “Aqui também pode haver desabamento do guarda-corpo”, aponta Bacelar.
Passarela de pedestres (15 e 16 Norte)
» Permanece carente de reparos. O especialista destaca uma rachadura na altura do Eixão. Isso, segundo ele, é um indício de que a estrutura está prejudicada e pode causar desabamentos.
Viaduto DF 002
(sobre a via S2)
» No Eixão, o viaduto que passa pela via S2 recebeu reparos
nos últimos anos, mas a obra já mostra problemas, que indicam que o trabalho não
foi feito como deveria.
Ponte do Bragueto
» Segundo o especialista Li Chong Lee Bacelar, há diversos pontos problemáticos na estrutura. Os diversos remendos feitos na via, por exemplo, acrescentam riscos de algum acidente ocorrer.
Viaduto do Eixo L (215/216 Sul)
» Bacelar também identificou alguns danos na estrutura. “É como se houvesse uma ferida na ponte, é o que há aqui, com o tempo isso só vai crescer. Foi assim que começou na Galeria dos Estados.”
Viaduto sobre N2
(ao lado do Conjunto Nacional)
» Ao lado do Conjunto Nacional, preocupam rachaduras expostas no próprio asfalto da via. Além disso, é possível ver danos provocados na parte externa da estrutura.
Estacionamento em frente ao Conjunto Nacional
» Um dos locais com menos problemas detectados pelo especialista, tem alguns buracos na via que passa ao lado (talvez por falta de qualidade no material) e não oferece
maiores riscos.
Viaduto do Eixo L (203/204 Sul)
» Um dos que mais preocuparam o especialista. Boa parte da estrutura está corroída e, ao longo do tempo, a situação tende a piorar caso não sejam tomadas medidas rápidas para resolução.
Viaduto sobre o Buraco do Tatu sentido Norte/Sul
» O especialista detectou problemas causados por lodo, por exemplo, além de rachaduras e afloramentos. Há risco também de queda de placas mal fixadas no teto da estrutura.
Ponte das Garças
» Também há problemas nas estruturas, como algumas rachaduras. Elas são indício de que a estrutura está trabalhando mais do que deveria e, com o tempo, podem causar algum dano mais sério.
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Viadutos de Brasília estão comprometidos |
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