62% DOS PAULISTANOS JÁ REGISTRARAM ATOS RACISTAS NO TRABALHO.
#Paulistanos avaliam que a administração municipal tem feito pouco ou nada para combater o preconceito e a discriminação em São Paulo.
No feriado da Consciência Negra, comemorado neste Terça-Feira (20) em diversos estados do país, um pesquisa feita pela Rede Nossa São Paulo na capital mostra que o paulistano pouco tem para celebrar.
Um dos motivos que levam a essa constatação é que cerca de seis em cada dez entrevistados afirmam perceber diferença no tratamento de pessoas brancas e pessoas negras no ambiente de trabalho.
O número equivale tanto ao processo de seleção quanto a promoção de cargo e ao relacionamento no dia a dia.
Entre os negros e pardos, o índice sobe para 73%, enquanto entre os brancos, 60% acreditam que há preconceito ao contratar uma pessoa negra.
A maioria também já presenciou situações racistas na rua, em parques, nos shoppings, universidades e no transporte público.
Sete em cada dez paulistanos avaliam que o preconceito e a discriminação contra a população negra se manteve ou aumentou em São Paulo nos últimos 10 anos.
Os entrevistados de 16 a 24 anos, os que possuem renda acima de dois a cinco salários mínimos e os moradores da região Oeste são os que apresentam os indicadores de percepção de racismo mais elevados.
Já os mais velhos, aqueles com Ensino Superior e os que possuem renda familiar mensal acima de cinco salários mínimos são os que apresentam os indicadores de percepção mais baixos. O levantamento foi realizado em conjunto com o instituto Ibope Inteligência.
Políticos: Três em cada quatro paulistanos avaliam que a administração municipal tem feito pouco ou nada para combater o preconceito e a discriminação em São Paulo.
Segundo a Rede Nossa São Paulo, o combate à situações de preconceito e discriminação na cidade deve partir, sobretudo, do Poder Público, porém prepondera a sensação de que a administração municipal não tem trabalhado satisfatoriamente para combater o preconceito e discriminação racial na cidade.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo, afirma que "a Coordenação de Promoção de Igualdade Racial, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo, vem trabalhando constantemente para promover a inclusão e ampliar as oportunidades para a população negra em todo o município, apoiando e fazendo parte de iniciativas diversas neste sentido".
Resistência: O Dia Nacional da Consciência Negra é comemorado em 20 de novembro por causa da morte de Zumbi dos Palmares, importante líder na luta contra a escravidão.
O período é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira e aborda temas como racismo, discriminação e igualdade social e salarial.
Durante todo o dia, instituições como Casa das Rosas, Casa Guilherme de Almeida e Casa Mário de Andrade terão atividades gratuitas, que tratarão da história e da cultura negras.
Acontece também, em toda a capital, a Virada da Consciência, com eventos envolvendo música, dança, teatro, moda, cinema e mostras de artes visuais.
"Precisamos de uma trabalho coletivo para sobreviver. O espírito quilombola nos acompanha na nossa organização e na sociedade," afirma a escritora Conceição Evaristo, autora do romance "Ponciá Vicêncio", de 2003, onde aborda temas como a discriminação racial, de gênero e de classe.
O evento ainda conta com atividades nos 36 CEUs e no Memorial da América Latina.
O Museu do Futebol, no Estádio do Pacaembu, na zona oeste, terá entrada franca para os convidados da Virada da Consciência.
Também no Pacaembu, jogadores do Corínthians e artistas devem fazer parte de um time que vai jogar contra a seleção da Faculdade Zumbi dos Palmares.
![]() |
| São Paulo comemora Dia da Consciência Negra |

Nenhum comentário