PREFEITURA DE SÃO PAULO INICIA REMOÇÃO DE GRAFITES NO CENTRO E CASO VAI PARAR NA JUSTIÇA.
#Remoção no complexo cultural da Praça das Artes terminou em protestos de artistas que grafitam artes de grande porte no local.
Produtores culturais acionaram a Justiça e o Ministério Público pedindo auxílio e providências para evitar que a Prefeitura de São Paulo retome a remoção do grafite feito em 2015 em um dos prédios que contornam a Praça das Artes, no Centro da cidade, virado para o Vale do Anhangabaú.
A remoção começou na terça-feira (19) e chegou a ser interrompida após protestos. Kleber Pagú, produtor de arte urbana, ativista e membro da comissão de assessoria a assuntos de arte de rua da Secretaria Municipal de Cultura, disse que foi avisado por amigos e correu para o local. Nesta quinta (21), ele voltou para o lugar para tentar evitar a possibilidade de nova ação.
O complexo cultural da Praça das Artes é uma extensão das atividades do Theatro Municipal. Pertence à municipalidade, mas é gerido pelo Instituto Odeon.
A Secretaria de Cultura informou, por meio de nota, que o grafite estava sendo apagado para que um novo mural seja pintado e que o espaço ficará reservado para nova obra dos mesmos artistas, que já foram convidados para fazer a nova pintura. A pasta também informou que a remoção do grafite será concluída até sexta-feira (22). (Veja a íntegra da nota ao final da reportagem)
Antes dos protestos, porém, o secretário de Cultura chegou a anunciar nas redes sociais que a nova arte seria feita pela grafiteira Mag Magrela. Após a confusão, a pasta divulgou nota dizendo que os artistas que assinam o atual grafite é que serão responsáveis pela pintura. O G1 cobrou esclarecimentos sobre as mudanças, as razões da remoção e os custos, mas não obteve resposta.
Grafite de 2015: O grafite é assinado pelos artistas Alexis Diaz, de Porto Rico, e Inti, do Chile. A pintura começou a ser apagada na manhã desta terça por funcionários de uma empresa contratada pela Secretaria Municipal de Cultura. A gestão municipal pretende inaugurar integralmente o espaço da Praça das Artes, em obras desde 2012, neste sábado (23).
A parede, feita em nanquim pelos artistas latino-americanos, foi uma das dez cedidas para o Festival O.bra, projeto realizado em 2015 por produtores culturais com recursos próprios e da iniciativa privada.
Alexis Diaz postou em sua conta no Instagram nesta quarta-feira uma imagem do mural com o texto, em inglês "Adeus, meu amigo! São Paulo, Brazil. 2015". No post, o artista não comenta sobre o convite para a realização de novo mural que a Secretaria de Cultura informou ter feito.
Por e-mail, o Instituto Odeon afirmou que o mural foi feito em um prédio de administração privada, que não está diretamente vinculado à Praça das Artes e nem sob responsabilidade do instituto.
O instituto foi novamente questionado sobre os custos do contrato, mas não respondeu aos questionamentos da reportagem.
Ação causou 'surpresa' em produtores: "Começaram a apagar ao meio-dia [de terça], cheguei 12h40, me apresentei, pedi que parassem e descessem para conversar. Não quiseram, continuaram apagando. Sou habilitado no equipamento, então eu desliguei para chamar a atenção, e eles desceram", relata o produtor cultural Kleber Pagú.
"A Praça das Artes está cercada por nove prédios. Um único mural tem grafite. Tem oito em branco para pintar. Ao invés de pintar, estão apagando o único que tem arte. Arte urbana é resistente, precisa de incentivo, valorização, apoio e não de atitudes contrárias", afirma.
Vera Santana, produtora e uma das idealizadoras do projeto que viabilizou a obra em 2015, também foi ao local assim que soube da remoção, para tentar evitar.
"Foi uma surpresa muito grande. Não importa se vai ser apagada para fazer um jardim, ou porque não gostaram da cor, ou para fazer outra obra. Ninguém destrói uma obra do [Victor] Brecheret [por exemplo] para fazer outra em cima. É desrespeito com o trabalho artístico", defende Vera.
Desde então, os produtores tentam medidas e alternativas para recuperar o que já foi eliminado e preservar o restante.
"Estamos nos disponibilizando, colocando para eles a proposta de fazermos a recuperação de forma não onerosa. Se parar de apagar, a gente entra em contato com os artistas e, se eles autorizarem, vamos recuperar o que foi apagado", afirma Pagú sobre a oferta feita à Secretaria Municipal de Cultura.
Nesta quarta-feira (19), Vera entregou uma carta aberta ao juiz Adriano Marcos Laroca, da 12ª Vara de Fazenda Pública, responsável pela condenação da Prefeitura e do ex-prefeito João Doria (PSDB) pela remoção de grafites na Avenida 23 de Maio.
Na decisão do dia 26 de fevereiro, Laroca também decreta que o executivo municipal não pode remover grafites existentes em equipamentos públicos enquanto não houver normas estabelecidas pelo Conpresp.
A produtora também acionou o Ministério Público, por intermédio do vereador Toninho Vespoli (PSOL), solicitando providências à Promotoria do Patrimônio Público.
A Assessoria do vereador disse que irá, nesta sexta (22), acionar o Tribunal de Contas do Município (TCM) para que apure as razões desse novo contrato e o valor empenhado pela gestão municipal.
O G1 entrou em contato com o Ministério Público e o Tribunal de Justiça de SP e aguarda retorno.
Grafite em nanquim: A parede, feita em nanquim pelos artistas latino-americanos Alexis Diaz e Inti, foi uma das dez cedidas para o Festival O.bra, projeto realizado em 2015 por produtores culturais com recursos próprios e da iniciativa privada.
Vera revela que foi um projeto grande, maturado durante dois anos para conseguir construir as parcerias.
Segundo a produtora, o grafite de Diaz a Inti levou mais tempo para ser concluído e foi um dos trabalhos mais caros do projeto por conta do material usado - à época, cada litro do nanquim japonês custava, em média, R$ 900.
"Essa pintura é uma das mais importantes do festival pela técnica utilizada. Foi feita em tinta nanquim. Demorou 25 dias para ficar pronta", recorda.
Vera conta que soube que a Prefeitura pretendia apagar a obra por meio do dono do prédio. A gestão municipal, porém, não informou quando a remoção seria executada.
"Quem entrou em contato comigo foi o prédio avisando dessa situação, de que seria apagado", explica.
Veja a íntegra da nota da Secretaria Municipal de Cultura: A Secretaria Municipal de Cultura reconhece a arte urbana como uma vertente relevante e fundamental para a cultura contemporânea e para identidade da cidade de São Paulo. Entre suas atividades centrais, estão esforços no sentido de consolidar a vocação da cidade no acolhimento e disseminação de obras de graffiti e demais linguagens.
A SMC valoriza imensamente o trabalho criado pelos artistas Inti e Alexis Diaz, no contexto do festival O.bra, em 2015, e a importância do mural produzido no Vale do Anhangabaú, marco urbano da cidade.
O imóvel que acolhia a obra é privado e o contrato já estava vencido, assim, foi feita uma mediação no sentido de garantir que fosse realizada uma nova intervenção. Em diálogo com os produtores do O.bra, já no intuito de um novo mural, foi definido que a nova obra só seria iniciada com o consentimento dos artistas que ali estavam e com o mural sendo apagado por completo, para depois iniciar a nova pintura.
Os mesmo artistas, o chileno Inti e porto-riquenho Alexis Diaz, foram convidados pela SMC para assinar um novo mural, harmonizado com os novos rumos da Praça das Artes, no mesmo local. A nova obra irá dialogar com o projeto de reabertura da Praça das Artes, espaço público vizinho, que será reinaugurado no sábado (23) com enfoque no direito à cidade, ocupação de espaços públicos e multiculturalismo. O mural atual será apagado até sexta-feira (22), como informado aos artistas, e trará a seguinte frase "reservado para Inti e Alexis Diaz". Novos artistas serão selecionados para assinar outros espaços na Praças das Artes. Reforçamos o compromisso da Secretaria Municipal de Cultura com o diálogo e a valorização das expressões artísticas e culturais na cidade de São Paulo.
Produtores culturais acionaram a Justiça e o Ministério Público pedindo auxílio e providências para evitar que a Prefeitura de São Paulo retome a remoção do grafite feito em 2015 em um dos prédios que contornam a Praça das Artes, no Centro da cidade, virado para o Vale do Anhangabaú.
A remoção começou na terça-feira (19) e chegou a ser interrompida após protestos. Kleber Pagú, produtor de arte urbana, ativista e membro da comissão de assessoria a assuntos de arte de rua da Secretaria Municipal de Cultura, disse que foi avisado por amigos e correu para o local. Nesta quinta (21), ele voltou para o lugar para tentar evitar a possibilidade de nova ação.
O complexo cultural da Praça das Artes é uma extensão das atividades do Theatro Municipal. Pertence à municipalidade, mas é gerido pelo Instituto Odeon.
A Secretaria de Cultura informou, por meio de nota, que o grafite estava sendo apagado para que um novo mural seja pintado e que o espaço ficará reservado para nova obra dos mesmos artistas, que já foram convidados para fazer a nova pintura. A pasta também informou que a remoção do grafite será concluída até sexta-feira (22). (Veja a íntegra da nota ao final da reportagem)
Antes dos protestos, porém, o secretário de Cultura chegou a anunciar nas redes sociais que a nova arte seria feita pela grafiteira Mag Magrela. Após a confusão, a pasta divulgou nota dizendo que os artistas que assinam o atual grafite é que serão responsáveis pela pintura. O G1 cobrou esclarecimentos sobre as mudanças, as razões da remoção e os custos, mas não obteve resposta.
Grafite de 2015: O grafite é assinado pelos artistas Alexis Diaz, de Porto Rico, e Inti, do Chile. A pintura começou a ser apagada na manhã desta terça por funcionários de uma empresa contratada pela Secretaria Municipal de Cultura. A gestão municipal pretende inaugurar integralmente o espaço da Praça das Artes, em obras desde 2012, neste sábado (23).
A parede, feita em nanquim pelos artistas latino-americanos, foi uma das dez cedidas para o Festival O.bra, projeto realizado em 2015 por produtores culturais com recursos próprios e da iniciativa privada.
Alexis Diaz postou em sua conta no Instagram nesta quarta-feira uma imagem do mural com o texto, em inglês "Adeus, meu amigo! São Paulo, Brazil. 2015". No post, o artista não comenta sobre o convite para a realização de novo mural que a Secretaria de Cultura informou ter feito.
Por e-mail, o Instituto Odeon afirmou que o mural foi feito em um prédio de administração privada, que não está diretamente vinculado à Praça das Artes e nem sob responsabilidade do instituto.
O instituto foi novamente questionado sobre os custos do contrato, mas não respondeu aos questionamentos da reportagem.
Ação causou 'surpresa' em produtores: "Começaram a apagar ao meio-dia [de terça], cheguei 12h40, me apresentei, pedi que parassem e descessem para conversar. Não quiseram, continuaram apagando. Sou habilitado no equipamento, então eu desliguei para chamar a atenção, e eles desceram", relata o produtor cultural Kleber Pagú.
"A Praça das Artes está cercada por nove prédios. Um único mural tem grafite. Tem oito em branco para pintar. Ao invés de pintar, estão apagando o único que tem arte. Arte urbana é resistente, precisa de incentivo, valorização, apoio e não de atitudes contrárias", afirma.
Vera Santana, produtora e uma das idealizadoras do projeto que viabilizou a obra em 2015, também foi ao local assim que soube da remoção, para tentar evitar.
"Foi uma surpresa muito grande. Não importa se vai ser apagada para fazer um jardim, ou porque não gostaram da cor, ou para fazer outra obra. Ninguém destrói uma obra do [Victor] Brecheret [por exemplo] para fazer outra em cima. É desrespeito com o trabalho artístico", defende Vera.
Desde então, os produtores tentam medidas e alternativas para recuperar o que já foi eliminado e preservar o restante.
"Estamos nos disponibilizando, colocando para eles a proposta de fazermos a recuperação de forma não onerosa. Se parar de apagar, a gente entra em contato com os artistas e, se eles autorizarem, vamos recuperar o que foi apagado", afirma Pagú sobre a oferta feita à Secretaria Municipal de Cultura.
Nesta quarta-feira (19), Vera entregou uma carta aberta ao juiz Adriano Marcos Laroca, da 12ª Vara de Fazenda Pública, responsável pela condenação da Prefeitura e do ex-prefeito João Doria (PSDB) pela remoção de grafites na Avenida 23 de Maio.
Na decisão do dia 26 de fevereiro, Laroca também decreta que o executivo municipal não pode remover grafites existentes em equipamentos públicos enquanto não houver normas estabelecidas pelo Conpresp.
A produtora também acionou o Ministério Público, por intermédio do vereador Toninho Vespoli (PSOL), solicitando providências à Promotoria do Patrimônio Público.
A Assessoria do vereador disse que irá, nesta sexta (22), acionar o Tribunal de Contas do Município (TCM) para que apure as razões desse novo contrato e o valor empenhado pela gestão municipal.
O G1 entrou em contato com o Ministério Público e o Tribunal de Justiça de SP e aguarda retorno.
Grafite em nanquim: A parede, feita em nanquim pelos artistas latino-americanos Alexis Diaz e Inti, foi uma das dez cedidas para o Festival O.bra, projeto realizado em 2015 por produtores culturais com recursos próprios e da iniciativa privada.
Vera revela que foi um projeto grande, maturado durante dois anos para conseguir construir as parcerias.
Segundo a produtora, o grafite de Diaz a Inti levou mais tempo para ser concluído e foi um dos trabalhos mais caros do projeto por conta do material usado - à época, cada litro do nanquim japonês custava, em média, R$ 900.
"Essa pintura é uma das mais importantes do festival pela técnica utilizada. Foi feita em tinta nanquim. Demorou 25 dias para ficar pronta", recorda.
Vera conta que soube que a Prefeitura pretendia apagar a obra por meio do dono do prédio. A gestão municipal, porém, não informou quando a remoção seria executada.
"Quem entrou em contato comigo foi o prédio avisando dessa situação, de que seria apagado", explica.
Veja a íntegra da nota da Secretaria Municipal de Cultura: A Secretaria Municipal de Cultura reconhece a arte urbana como uma vertente relevante e fundamental para a cultura contemporânea e para identidade da cidade de São Paulo. Entre suas atividades centrais, estão esforços no sentido de consolidar a vocação da cidade no acolhimento e disseminação de obras de graffiti e demais linguagens.
A SMC valoriza imensamente o trabalho criado pelos artistas Inti e Alexis Diaz, no contexto do festival O.bra, em 2015, e a importância do mural produzido no Vale do Anhangabaú, marco urbano da cidade.
O imóvel que acolhia a obra é privado e o contrato já estava vencido, assim, foi feita uma mediação no sentido de garantir que fosse realizada uma nova intervenção. Em diálogo com os produtores do O.bra, já no intuito de um novo mural, foi definido que a nova obra só seria iniciada com o consentimento dos artistas que ali estavam e com o mural sendo apagado por completo, para depois iniciar a nova pintura.
Os mesmo artistas, o chileno Inti e porto-riquenho Alexis Diaz, foram convidados pela SMC para assinar um novo mural, harmonizado com os novos rumos da Praça das Artes, no mesmo local. A nova obra irá dialogar com o projeto de reabertura da Praça das Artes, espaço público vizinho, que será reinaugurado no sábado (23) com enfoque no direito à cidade, ocupação de espaços públicos e multiculturalismo. O mural atual será apagado até sexta-feira (22), como informado aos artistas, e trará a seguinte frase "reservado para Inti e Alexis Diaz". Novos artistas serão selecionados para assinar outros espaços na Praças das Artes. Reforçamos o compromisso da Secretaria Municipal de Cultura com o diálogo e a valorização das expressões artísticas e culturais na cidade de São Paulo.
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